19 abril 2011

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"Era uma coisa assustadora, essa sensação de que um buraco havia
sido construído no meu peito, fazendo meus órgãos vitais pararem de funcionar e deixando- os em trapos, com cortes não curados nas
beiradas que continuavam doendo e sangrando mesmo com a
passagem do tempo. Racionalmente, eu sabia que meus pulmões
deviam estar intactos, mas mesmo assim eu lutava por ar e minha
cabeça rodava como se os meus esforços não me levassem a nada.
  Meu coração devia estar batendo também, mas eu não conseguia
ouvir o barulho da pulsação nos meus ouvidos; minhas mãos
pareciam azuis de frio. Eu me curvei, abraçando minhas costelas pra
me manter junta. Eu procurei pela minha torpência, minha negação,
mas elas tinham me abandonado.
  E mesmo assim, eu achava que podia sobreviver. Eu estava alerta,
eu sentia a dor - a dor da perda que irradiava do meu peito,
mandando ondas de dor pelos meus órgãos e minha cabeça - mas
era suportável.
  Eu podia sobreviver. Eu não sentí que a dor tinha diminuído com o
tempo, mas eu tinha ficado forte o suficiente pra suportá-la.
  Eu me apressava na escuridão sem um caminho, sempre procurando,
procurando, procurando, ficando mais frenética enquanto o tempo
passava, tentando me mover mais rápido, apesar da velocidade me
deixar mais desajeitada... Então chegava aquele ponto no sonho - e
eu podia sentí-lo chegando agora, mas eu não parecia ser capaz de
me acordar antes dele chegar - quando eu não conseguia me lembrar
o que eu estava procurando.
  Então eu me dava conta de que não havia nada pra procurar, e nada
pra encontrar. Eu me dava conta de que nunca houve nada além
do vazio, melancolía, e nunca houve nada além disso pra
mim... nada além de nada...
  Mudei minha rotina para não restar tempo para  regressar as lembranças de nós dois, como eu sempre havia sonhado.
  Quem sabe quando essa buraco irá fechar e essa dor irá passar?Talves nunca, talves esse seja o maior erro da minha vida e o arrependimento  circunda me  o resto da minha existência. Talves... Não posso viver de talveses, preciso de um agora! Me doi saber que foi em vão, que tudo que havia planejado se esvaiu, ficou só na imaginação, no meu imaginário".


 



I don't cry, any more!

(inspiração livro lua nova)

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